A luz reinventada nas “Forças da Natureza”

Catarina Pinto Leite expõe trinta telas,a maioria a preto e branco, na Galeria São Mamede, em Lisboa.

O Absoluto, 2010. Óleo s/ tela, 130 x 180cm

O Absoluto, 2010. Óleo s/ tela, 130 x 180cm

A OITAVA EXPOSIÇÃO INDIVIDUALde Catarina Pinto Leite é inaugurada na próxima quinta-feira, na Galeria São Mamede, em Lisboa, onde ficará patente até 15 de Janeiro.

São trinta telas a óleo, a maioria das quais a preto e branco… e cinzentos. Forças da Natureza é o nome deste conjunto de trabalhos, executados «num período muito intenso, de imersão total», diz a pintora à NS’. Embora saídos da mesma «fornada», cada quadro é um caso: «Há uns que me dizem muito e outros que me dizem menos, depende da relação que tive com cada um, mas pintar é sempre um prazer», diz.

No catálogo, o crítico Martim Lapa considera que neste conjunto de obras, «objecto de um aparente minimalismo resultante da ausência de cor, (…) a paisagem está agora despojada de toda a intenção de natureza realista», numa transfiguração que «permitirá todas as interpretações, abrindo para um universo maior de abstracção».

Vasco Graça Moura escreveu a propósito dos quadros da pintora: «A perspectiva tradicional altera–se, a matéria ganha novas consistências, os planos fundem-se ou interpenetram-se de acordo com as pulsões ditadas por um imemorial impulso lírico e onírico, enquanto a luz é reinventada como breve fulgor a irromper inesperadamente do avesso do dia ou das trevas em muda suspensão, aqui e ali, a deixar entrever o inominável e o interdito.»

A artista dedica-se agora apenas à sua própria obra, mas já trabalhou em restauro, na Oficina Ocre. Acabou por abandonar esse trabalho por sentir que ali não havia lugar para a criação, mas ao qual reconhece óbvia importância. «O retoque e as velaturas deram-me mão», revela. Além de Lisboa, Catarina Pinto Leite já teve obras expostas em Madrid, no Porto, na Régua, no Funchal, em Oeiras e no Montijo.

T: J.A.S.

Artigo do DN disponivel aqui.