Exposição Intermitências

Há espaços que pedem arte.

Espaços que só por si estão cheios de uma energia, de uma personalidade, que pedem uma intervenção artística para se revelarem. Por outro lado, há obras de arte que ganham vida em relação com o espaço, em diálogo com o tecto, o chão e as paredes.

Quando as duas coisas se juntam o que acontece não é apenas uma exposição de telas, mas uma instalação onde tudo faz sentido porque tudo se relaciona. É assim a exposição de Catarina Pinto Leite na Sala do Veado, chamada “Intermitências”.

“Tudo o que é subjectivo, espiritual, abstracto e misterioso fascina-me”, disse uma vez a artista. E isso é notório nesta exposição de paisagens abstractas e obscuras. Entre as luzes e a escuridão e a mistura das duas dimensões, estes trabalhos de Catarina Pinto Leite revelam um interesse pelo lado místico que a arte pode encerrar, o lado do espírito. Mas a verdade é que nestas manchas e sombras, reflecte-se um material de que é feita a Sala do Veado, como se cada quadro fosse uma lupa sobre uma imperfeição da parede, que nos leva a viajar além do espaço, dentro do espaço.

O título da exposição, “Intermitências”, refere-se à “ideia de transitoriedade, aludindo a questões relativas ao pulsar da vida, aos intervalos, a processos de interrupção, aos ciclos da natureza, situando a dimensão literal e simbólica da luz/escuridão como elemento primordial da sua prática”, como explica a crítica de arte Sandra Vieira Jürgens no catálogo. A mostra, comissariada por Manuel Costa Cabral, reúne 18 estudos preparatórios a tinta da china e grafite e 20 trabalhos recentes de diferentes formatos nos quais a artista revela uma nova direcção de trabalho, abandonando a figuração e a paisagem mais convencional que antes fazia parte do seu percurso.

in Revista Time Out
Abril 2015

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